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Harmonização: “Busca por naturalidade mudou o foco da correção para o acompanhamento gradual“, diz especialista

Publicado em 30/10/2026 às 17:06
Por Redação

Entre os brasileiros que fazem procedimentos estéticos, 38,5% dizem querer parecer a melhor versão da própria idade. Apenas 10% ainda buscam manter uma aparência mais jovem. O dado, de pesquisa encomendada pela Jeisys Medical Brasil com respondentes acima de 25 anos, sintetiza uma virada que já reorganizou a rotina dos consultórios: o objetivo deixou de ser reverter o tempo e passou a ser atravessá-lo bem.

A mesma pesquisa mostra que 74,5% não querem parecer outra pessoa, que 68,6% apontam naturalidade e resultados harmoniosos como fator mais importante na escolha de um procedimento e que a artificialidade é o principal medo de 44% deles. É o oposto do que movia o setor há uma década.

A mudança se traduz em pacientes que chegam mais cedo, mas com outro pedido. Em vez de corrigir alterações já evidentes, procuram acompanhamento contínuo, com tratamentos planejados de forma individual, que respeitam a idade, as necessidades e os traços de cada pessoa. A prática ganhou nome próprio no vocabulário internacional, prejuvenation e mudou a natureza da consulta.

“O paciente que chega hoje não pede para ficar diferente. Ele pede para continuar parecendo ele mesmo daqui a quinze anos”, afirma a especialista em harmonização orofacial Gleice Marinho, que atua na área há 10 anos em João Pessoa e Campina Grande. “É uma demanda mais difícil de atender do que a antiga, porque exige planejar e esperar, não executar”, complementa. 

O crescimento do movimento trouxe junto uma preocupação com o excesso, e a discussão já alcançou a própria indústria de beleza. A divisão dermatológica da L’Oréal passou a alertar publicamente sobre a adoção de rotinas antienvelhecimento em idades cada vez mais precoces, defendendo que cuidar da pele cedo é positivo, mas que isso não significa rotinas complexas nem uso de ativos antienvelhecimento sem necessidade e sem avaliação profissional. A prioridade, segundo a companhia, deveria ser uma pele saudável, protegida e com barreira cutânea equilibrada.

Para a especialista, é exatamente aí que a prevenção se descola do excesso de cuidado. “Prevenção não é antecipar procedimento. Uma parte relevante das minhas consultas com pacientes jovens termina sem indicação nenhuma, e isso também é conduta clínica”, diz. Não há idade universal para começar. Genética, exposição solar, intensidade da mímica facial e hábitos de vida pesam mais do que a data de nascimento, e a avaliação individual é o que define se há indicação. Em pacientes na casa dos 20 anos, a conduta costuma se concentrar em fotoproteção, orientação e acompanhamento. Estratégias mais ativas entram apenas quando existe sinal clínico que as justifique.

A escolha de quem conduz esse acompanhamento pesa mais do que a escolha do procedimento, e o próprio público parece perceber isso: 27% dos entrevistados na pesquisa da Jeisys elegem a recomendação profissional como principal critério para aderir a uma nova tecnologia, enquanto apenas 1,2% seguem indicação de influenciadores digitais.

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